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1 de novembro de 2010

Bate papo com a deputada Sueli Vidigal (PDT-ES)

Deputada Sueli Vidigal criou vários projetos de
políticas públicas em defesa da mulher
Foto/Divulgação
O Blog Mulher no Poder nesta quinta-feira (28/10) realizou uma entrevista com a Deputada Federal Sueli Vidigal (PDT/ES) por telefone. Em proporcionalidade, o estado que elegeu a maior bancada feminina foi o Espírito Santo. Dos dez representantes da unidade federativa, quatro são mulheres e uma das é Sueli Vidigal reeleita com 141.578 mil votos, cerca de 7,51% dos votos válidos. O tema da entrevista é o “Fortalecimento da Mulher no Poder Legislativo”.
A deputada fez um retrospecto geral no Brasil, atenuando o direito de voto e candidatura para a mulher brasileira que aconteceu em 1932 no governo de Getúlio Vargas. Citou grandes nomes da luta feminina, pessoas nas quais fez história no século XX, como a paulista Carlota Queiroz, primeira deputada do país, Eunice Michiles primeira senadora, Roseana Sarney eleita primeira governadora de um estado brasileiro e a senadora Benedita da Silva, primeira mulher negra a presidir uma sessão do Congresso Nacional.

Uma das tensões que acompanha os sistemas democráticos ocidentais contemporâneos refere-se à sub representação feminina no campo político. Diversos estudos têm contribuído para compreender os mecanismos de exclusão política das mulheres e sua participação nos processos de tomada de decisões e nas instâncias de poder.

Sueli Vidigal criou vários projetos de políticas públicas em defesa da mulher. Entre eles, temos destaque para os PLs de nº 3748/2008 que autoriza o Poder Executivo a conceder pensão às mães que mantenham criança nascida de gravidez decorrente de estupro; o PL 4765/2009 que institui no Calendário Oficial do País o “Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil”; PL 5625/2009 que cria o Regime Especial de atendimento à Mulher Vítima de Agressão Física junto ao Sistema Único de Saúde – SUS; e ainda o PL 5863/2009 que institui o programa de proteção individual as policiais do sexo feminino, que consiste na obrigatoriedade do uso de colete à prova de balas com designer anatômico para o sexo feminino na região torácica, aos moldes dos sutiãs, em todo o país.


Foto/Divulgação

“Quero lembrar que as ações afirmativas vêm sendo implementadas no campo da política e que incidem diretamente sobre as eleições proporcionais isto é, aos cargos do legislativo. Resultado de iniciativa de diversos segmentos da sociedade especialmente da bancada feminina do Congresso Nacional no qual me orgulha ser uma das vice-presidentes. Falo também que do movimento de mulheres e de organizações não governamentais.”, diz Sueli Vidigal.

 Do total de 6.028 registros apresentados pelos partidos, pouco mais de 22% configuram candidaturas de mulheres. Índice ainda aquém do estipulado pela Lei Eleitoral 9.504/97 que determina um percentual mínimo de 30% de candidaturas femininas para os cargos proporcionais, obrigatórias desde 2009.

 “No âmbito das eleições para Deputados, o número de mulheres eleitas vem crescendo, mesmo com a diminuição nessas eleições, somos hoje 8% das cadeiras na Câmara dos Deputados num total de 42 parlamentares. Ainda é um número pequeno, para um universo de 513 parlamentares, mas representa uma grande conquista para todas as mulheres brasileiras.”, Sueli afirma.



Por: Suélem Santos e Renata Moreira

31 de outubro de 2010

Bate papo com deputado Magela (PT/DF) sobre mulher no poder

                                       Foto: Aleci Dourado
Deputado Magela declara que a mulher nessas
eleições é o símbolo mais importante

O deputado federal Magela (PT) reeleito pelo Distrito Federal com 86.276 votos, conversa com o blog: “Eleições 2010 – Ascensão da Mulher na Política” e destaca que nessas eleições temos um grande símbolo a ser defendido: trata-se da presença de uma mulher [candidata petista Dilma Rousseff] defendendo a continuidade de um grande projeto de desenvolvimento para o país.

(Foto: Aleci Dourado)
Blog: Nessas eleições o segundo turno é disputado por uma mulher e um homem. Hoje pela primeira vez na história temos uma candidata com chances reais de eleição. O que representa para o Brasil ter uma candidata tão forte concorrendo à Presidência da República?
 Deputado Magela: Considero [a mulher] um dos maiores símbolos dessa eleição. No caso da Dilma, o seu papel é ainda mais importante, porque pela primeira vez no Brasil temos uma eleição visando a continuidade de um projeto, e ela representa a continuidade desse projeto iniciado pelo Presidente Lula.
Dessa forma temos dois grandes símbolos: a ascensão da mulher – representada por Dilma - e a continuidade de um projeto para um país.
 Blog: A possível eleição da candidata Dilma Rousseff pode ser vista como um amadurecimento de nossa sociedade politicamente masculinizada?
Deputado Magela: Claro que sim. Considero que a eleição de Dilma quebra muitos paradigmas. Sobretudo o paradigma do machismo, que ainda impera nas relações sociais brasileiras, principalmente na política. Nesse caso, percebemos que a sociedade está amadurecendo, não apenas no crescimento da influência da mulher, mas também no crescimento da compreensão das relações sociais mais amistosas, democráticas, igualitárias e fraternas.


 Blog: Nessas eleições o número de parlamentares no Congresso Nacional diminuiu. Para o senhor, como se explica esse fenômeno?
Deputado Magela: Esse efeito na política é interessante. Diminuiu o número de mulheres eleitas, mas aumentou o número de votos dados a candidatas mulheres.
Acredito, que quando se aumenta o número de candidatas, tivemos o aumento no número de votos dados a essas mulheres, mas a dispersão provocou a diminuição do número de representantes femininas no Congresso.
Blog: Isso é bom ou ruim?
Deputado Magela: É algo difícil de avaliar. Mas, acredito que se aumentou o número de votos dados as mulheres é bom. Mas, se diminuiu o número de mulheres no Congresso já não é tão bom. Volto à eleição da Dilma, que acima de tudo é um grande e importante passo nas relações sociais entre gêneros.
Blog: Mesmo com a diminuição da Bancada Feminina, a atuação feminina é bastante forte. Como o senhor avalia a mulher nos trabalhos da Casa?
Deputado Magela: Posso dizer que a Bancada Feminina na Câmara dos Deputados atua de forma suprapartidária nas questões que dizem respeito às mulheres, e assuntos delicados para o desenvolvimento da sociedade. Já nas questões onde há embate partidário, elas costumam votar de acordo com a orientação de seus partidos.
Blog: Então, a participação das mulheres na tomada de decisões de assuntos inerentes a esse segmento é positiva?
Deputado Magela: De um modo geral, é muito positivo a atuação das mulheres na ampliação dos direitos políticos desse segmento. Com a vitória da Dilma, tenho certeza, que se consolidará a ascensão da mulher, assim como a quebra de paradigmas, o rompimento de preconceitos e discriminação.
Por: Renata Moreira e Aleci Dourado


28 de outubro de 2010

Bate Papo com a deputada Manuela D’avila

Deputada Manuela D'avila
( Foto: Roberto Maltchik - G1)
O Blog “Eleições 2010: Ascensão da Mulher na Política” teve o prazer de conversar com a Deputada Manuela D’avila do PCdoB/RS reeleita Deputada Federal com 482.590 votos, cerca de 8% dos votos válidos. Sendo a parlamentar mais votada do Estado do Rio Grande do Sul.

Manuela D’avila tem uma história de crescimento político que demonstra a força da mulher brasileira e a importância de sua participação nas decisões que direcionaram o país.

Aos 23 anos, Manuela foi eleita a mais jovem vereadora do estado, por Porto Alegre. Na Câmara Municipal foi presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude e líder da bancada do PCdoB, membro da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente e vice-presidente da Comissão Especial de Políticas Públicas para Pessoas Portadoras de Deficiências.

Já em 2006, Manuela D’avila quebra mais um recorde sendo eleita Deputada Federal com 271.939 votos, provando que a mulher pode conquistar seu espaço na sociedade.

Hoje aparece entre as parlamentares mais votadas do Brasil. Na Câmara Federal, é vice-presidente da Comissão de Trabalho, e foi relatora da Lei dos Estágios.

Confira a entrevista com a deputada Manuela D’avila, que gentilmente nos respondeu por e-mail, devido à impossibilidade de um contato pessoalmente, visto que sua agenda no Estado do Rio Grande do Sul está direcionada a campanha para o segundo turno da candidata Dilma Rousseff (PT).


Foto/Divulgação
Blog: Qual a importância do papel da mulher na sociedade brasileira?
Manuela: Eu vejo que as mulheres ainda precisam conquistar seus espaços na nossa sociedade, seja na questão do reconhecimento no trabalho e nos salários e mesmo na representação política. Hoje estamos vendo a possibilidade de elegermos uma presidente para o nosso país, isso é um avanço imenso, mas ainda temos muito por avançar.

Blog: Nessa eleição a senhora foi reeleita em primeiro lugar no Rio Grande do Sul pela segunda vez, e aparece entre as mais votadas no Brasil. A sociedade brasileira hoje está evoluindo quanto à equidade de gênero?
Manuela: Acho que esta eleição tem um diferencial, como te disse o fato de uma candidata estar à frente nas pesquisas aponta isso. Mas por outro lado a bancada feminina no Congresso se manteve inalterada, ou seja, apesar de sermos maioria da população, representamos pouco mais de 9% dos parlamentares. A sociedade está evoluindo, mas a estrutura política ainda não.

Blog: O que ainda deve ser feito para se alcançar a igualdade plena, no que se refere a essa questão?
Manuela: Em primeiro lugar uma reforma política, que permita aos candidatos e candidatas que não contam com os "esquemões" políticos possam participar. O PCdoB é um dos poucos partidos que permitem isso, digo isso, pois nossas vereadoras, deputadas e senadoras são eleitas com o empenho de todo o partido e não apenas das seções femininas dos mesmos

Blog: Especialistas previram que a bancada feminina cresceria em quase 40%, para a senhora, por que essa projeção não se provou?
 Manuela: Justamente por não termos aprovado a Reforma, a forma dos partidos realizarem as campanhas ainda não foi alterada, apesar dos anseios da sociedade.

Blog: Deputada, a senhora já passou por algum constrangimento machista? Como lida com esse tipo de situação?
Manuela: Sinceramente não, no começo do mandato sofria muito preconceito por ser jovem, mas com o nosso trabalho isso foi superado.

Blog: O Brasil pela primeira vez em sua história tem duas mulheres disputando a Presidência da República. O que isso representa para o Brasil?
Manuela: Representa o amadurecimento de nossa sociedade, não apenas pelo fato de serem mulheres, mas também pelo fato de representarem propostas avançadas para o nosso país.

Blog: A candidata Dilma Rousseff (PT) por toda a campanha tem sido questionada quanto à legalização do aborto. A senhora acha que esse tema pode ser decisivo para o resultado final, agora no segundo turno?
Manuela: Acho que não, inclusive porque este tema está fora das propostas em debate, foi apenas uma tentativa da oposição de fugir ao debate do crescimento e do desenvolvimento, o calcanhar de Aquiles deles.

 Blog: Como a senhora avalia o desempenho da candidata Marina Silva (PV) no primeiro turno?
Manuela: Acho que ela conseguiu trazer para a pauta a questão ambiental e isso é muito importante, temos a necessidade de conjugar o nosso desenvolvimento com a questão ambiental.

Blog: Para finalizar: entre um candidato machista de seu partido e uma mulher de oposição, a senhora fica com quem?
Manuela: Felizmente nunca tive que fazer esta escolha, o nosso debate interno impede que lancemos candidatos que defendam preconceitos de qualquer origem. Para se lançar candidato, uma figura preconceituosa ou machista terá que procurar outro partido, e não o PCdoB.
Por: Renata Moreira e Suélem Santos